Profissão Repórter
Repórter convidada
2023 -2023
Cracolândia
O motorhome do Profissão Repórter estacionou no fluxo da Cracolândia, em São Paulo, um dos maiores territórios de consumo de drogas do mundo. No último episódio da série “Pra Onde, Brasil”, fui às ruas ao lado do repórter Chico Bahia para mostrar a realidade de quem mora e trabalha na região.
Comércios no entorno são diretamente afetados pelo avanço da Cracolândia, e muitos comerciantes fazem manifestações contra o chamado “fluxo”. Mas o restaurante de Ivanise Souza, ex-moradora de rua, segue o caminho oposto: além de doar refeições, ela oferece trabalho a usuários de drogas.
Durante uma operação da Polícia Militar, minha equipe e eu precisamos nos refugiar dentro do restaurante de Ivanise. Bombas de efeito moral foram lançadas e, junto a outras pessoas, nos abrigamos no estabelecimento enquanto o tumulto acontecia do lado de fora.

Violência Policial
O Profissão Repórter foi até a Baixada Santista para contar histórias de famílias que perderam parentes em operações policiais. No litoral de São Paulo, a Operação Escudo já deixou 18 mortos desde seu início, em 28 de julho.
Layrton Ferreira de Oliveira, 22 anos, foi morto pela polícia dentro de um cortiço na Praia Grande. O local ainda tinha marcas de balas nas paredes e sangue no chão, mesmo após ter sido lavado. Uma testemunha, que preferiu não se identificar, afirmou ter visto a ação policial e disse que Layrton não era o verdadeiro alvo da operação – o suspeito fugiu, mas, ainda assim, ele foi executado.
Em Santos, fomos investigar outro caso. No dia 1º de agosto, Victor Hugo foi baleado por um policial no Morro do Tetéu, uma comunidade vizinha ao bairro onde mora com a mãe. Segundo o boletim de ocorrência, os PMs encontraram o jovem ferido e afirmaram que ele confessou atuar no tráfico. Também disseram ter recolhido cápsulas de arma nove milímetros e drogas. A família, no entanto, nega essa versão.
Lei Antimanicomial
Até maio de 2024, todos os manicômios judiciários do Brasil serão desativados, conforme a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pessoas com transtornos mentais que cometeram crimes passarão a ser tratadas no Sistema Único de Saúde (SUS), com o apoio da família.
No Profissão Repórter, contamos as histórias de pessoas diretamente impactadas por essa mudança. Ao lado do repórter Chico Bahia, fui até Goiânia para conhecer o PAILI (Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator), que faz a gestão de presos submetidos a medidas de segurança e atua como ponte entre o SUS e o Judiciário.
Acompanhamos uma das visitas das assistentes sociais, que monitoram a rotina dos pacientes e avaliam sua reintegração à sociedade.




